
Essa é a visão do Diogo para a Série Destino.
Nela
você conhecerá muito mais sobre os seus sentimentos, seu passado e como
surgiu a forte amizade dele com o Nando... E suas reações ao conhecer a
Bruna. Como despertou para a vida.
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Vivendo
no meio do luxo, do sucesso e da fama, Diogo se vê cercado por muitas
pessoas interesseiras e fúteis. Apenas poucos tem acesso a sua
verdadeira face.
Depois
de sofrer desilusões, traições e muitas decepções, ele tranca seu
coração para o amor e a felicidade. Acha que aquilo não é para ele, que
não existe, que é uma ilusão. Mas mesmo achando que a sua vida e tudo em
volta fosse cinza, passa os seus verdadeiros sentimentos e desejos para
as suas músicas e faz cada vez mais sucesso.
Fãs o seguem para onde vai. É assediado. É notícia.
Mas da noite para o dia o Destino lhe prega uma peça e ele conhece a Bruna da forma mais inusitada.
Uma mulher de voz marcante que vai mudar a sua vida.
De
um segundo para o outro ele começa a enxergar tudo de uma forma mais
colorida, mais bonita e sente novamente o prazer de viver e de compor.
As suas música, que antes já encantavam as fãs, simplesmente estouram.
Graças ao amor incondicional, verdadeiro e puro que sente pela Bruna e
que sente em retorno, sua vida e carreira caminham as mil maravilhas.
A
Bruna faz com que a casca de rancor do seu coração se desfaça em
pedaços e o amargor que sentia simplesmente desaparecer. Ele se torna
completamente dependente dela. Dependente daquele amor que nunca sentiu e
que tem medo de perder. Ela simplesmente o ama. A Fama não lhe
interessa. O dinheiro é apenas um detalhe. Apenas o homem a interessa.
Apaixone-se por essa estória de amor moderno.
Amor, família e amizade estão presentes a todo momento, mas também traição, interesse e fama.
Escrito
de uma forma coloquial, informal e popular, a Série Destino é como um
diário. Você se sentirá inserido na estória. Verá como a Bruna e o Diogo
são pessoas comuns e simples, como você. Sofrem, amam e choram.
Espero que você goste.
Divirta-se. Chore. Sorria.
Apaixone-se pelo Diogo e pela Bruna.
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E aí?
Bem, sou o Diogo.
É incrível como a vida nos prega peças interessantes, não é?
Eu descobri que às vezes essas peças são amargas e disformes, mas que elas também podem ser doces e perfeitas.
Já ouvi muito dizerem “A paciência é uma virtude.”. Eu pude comprovar que ela é muito mais.
Ela me trouxe a felicidade e o amor verdadeiro.
Você poderá conhecer agora a minha estória.
A forma como o mundo saiu do monocromático e se tornou mais lindo para mim, mais colorido, mais B.
Poderá entender como esse cara deixou aquela casca de rancor e amargura para trás e resolveu crescer e acordar para a vida.
Como eu comecei realmente a viver.
Como ela me fez realmente viver.
Espero que você curta... Vamos nessa.
Diogo
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Cara, me esquece! – Resmunguei
quando o Henrique, o meu produtor entrou na minha suíte e eu estava
tentando concluir uma música que martelava na minha cabeça há semanas.
– Tem uma galera que te espera na casa de show, cara! – Ele resmungou.
– Já estou indo. Que saco, cara!
– Vou te falar, Diogo. Tem dias que você parece até mulher na TPM. – O Henrique saiu resmungando.
– O que está pegando, cara? – O Nando me perguntou.
– Qual é? Você também? – Resmunguei e joguei o celular longe.
– Que isso, cara? Precisava destruir o celular? Cara! Às vezes você fica insuportável. Qual é cara! – O Nando resmungou e bateu a porta, mas voltou dois segundos depois. – Estou aqui fora, para a hora que a estrela quiser sair.
– Nando? – Chamei. – Foi mal.
– Tá.
– Dez minutos no máximo. – Disse depois de respirar fundo.
Ser
um cantor famoso era tudo que eu queria desde garoto. Meu avô era um
grande compositor e eu me amarrava em ver como a música fazia parte da
vida dele, como ele era feliz e tinha orgulho de ouvir as suas canções
tocando no rádio apesar de viver mais trancado no escritório de
advocacia, o mesmo em que o meu pai dedicava horas e horas do seu dia.
Naquele momento, enquanto eu terminava de me arrumar para mais um show,
me lembrei de como a minha vida era tão mais simples.
– Vem ouvir, Diogo. – Meu avô me chamou enquanto eu brincava no quarto. Eu tinha sete anos e ele ainda era vivo.
– De novo, vovô? – Perguntei quando me levantei correndo.
– É. Vem. – Ele disse e chegamos à sala. – Escuta, Diogo.
– Que legal, vovô. – Disse impressionado quando uma música escrita por ele era cantada no rádio. – Quando eu crescer serei um compositor famoso que nem o Senhor.
– Será um compositor e um cantor famoso. – Ele me corrigiu.
– Cantor tem mais reconhecimento, meu neto. Compositor tem apenas o
prazer de ouvir as suas músicas fazendo sucesso na voz de outra pessoa.
– Mas o seu avô canta muito bem, Diogo. – A minha avó contou ao me pegar no colo. – Ele tem uma voz linda. Você sabia que ele fazia serenata para a vovó?
– Não sabia. Faz, vovô. – Pedi e ele fez. – Legal. Quando eu tiver uma namorada vou cantar também para ela.
– E para a mamãe? – Minha mãe me perguntou quando chegou com os meus irmãos no carrinho de bebê.
– Eles chegaram! – Gritei, mas ela me fez sinal para que fizesse silêncio.
– Eles são muito pequenos, Diogo. – Ela sussurrou quando me aproximei.
– Também terei uns assim, mamãe. – Sussurrei quando me ajoelhei ao lado dos bebês e vi que eles dormiam. – Eu já fui pequenininho assim, mamãe?
– Já sim, meu amor. – Ela contou e me pegou no colo. – Mas você cresceu e vai crescer mais ainda. Vai ficar maior que o papai e a mamãe.
– Te amo, mamãe. – Disse me abraçando nela. – Prometo que farei música para você e para os meus irmãos também.
– Tenho uma surpresa para você. – Ela falou e eu arregalei os olhos. – O papai está trazendo.
– Cadê o meu garotão? – Meu pai perguntou ao entrar na sala com um embrulho grande.
– Isso é para mim, papai? – Perguntei quando a minha mãe me colocou no chão.
– É.
– Um violão! Um violão! – Vibrei.
– O vovô vai te ensinar. – Meu pai disse quando eu peguei o violão e comecei a tocar tudo errado.
– Está certo, vovô? – Perguntei.
– Não, mas o vovô te ajuda. – Meu avô disse rindo e pegou o violão. – Vamos lá para o seu quarto. O vovô te ensina.
E
ele me ensinou. Quando entrei no meu primeiro curso de música eu já
sabia todas as notas, acordes, estilos musicais e como passar do violão
para a partitura. Era tudo simples, fácil, muito mais bonito que a minha
realidade do presente. Consegui me tornar um compositor e cantor famoso
como meu avô tinha falado, mas ele não tinha me preparado para os
efeitos colaterais que a fama trazia consigo. Ele não tinha noção de
como era chato ser assediado e usado pelos outros.
Antes
que eu pudesse sentir o amargor da minha alma na minha boca pisquei,
coloquei o meu blazer e fui viver a minha realidade. Eu tinha um show me
esperando, fãs gritando querendo me ouvir e uma equipe inteira
dependendo de mim, do sucesso das minhas músicas e do fascínio com que
as fãs me seguiam.
– Vamos nessa. – Disse quando abri a porta da minha suíte.
– Mais calmo agora? – O Nando me perguntou quando apertou o botão do elevador.
– Deixa quieto.
– O que te deu, irmão? – Ele perguntou preocupado quando entramos.
– Só uma música que não sai da minha cabeça, mas não consigo concluir. – Contei e bati na minha testa.
– Tá. – Ele murmurou e me olhou. – Na boa? Você precisa se controlar um pouco.
– Qual é, Nando?
– Você é meu irmão, cara! – Ele resmungou me dando um empurrão de leve. – Tenho que te dar um toque. Não precisava jogar o celular longe, cara! Você exagerou.
– Eu sei. – Disse inspirando fundo.
– Durante a semana compramos outro. – Ele combinou quando saímos do elevador. – Eu aviso a tia que você está sem comunicação?
– Não. Deixa que eu falo com ela. – Avisei quando entrei no carro. – Se ela quiser falar comigo sabe como me achar. É só ligar para casa ou para você.
– Vamos nessa então ou as suas fãs histéricas vão destruir a casa de show. – Ele disse quando entrou no carro e mandou o motorista seguir.
E
mais um show do famoso cantor Diogo aconteceu. Era essa a minha rotina.
Cada final de semana em um canto do país, cada final de semana
desempenhando o papel que escolhi para mim mesmo.
Meus
pais sempre apoiaram a minha decisão de ser cantor mesmo sabendo que o
desejo do meu pai fosse que eu seguisse a sua carreira de advogado assim
como ele seguiu a do meu avô. Estudei nos melhores colégios, tive tudo
que o bom gosto e o dinheiro dos meus pais puderam me proporcionar, mas
quando finalmente eu tive que decidir o meu futuro, a música falou mais
alto. Eu via como o meu pai se acabava sobre a mesa do escritório, lendo
e relendo livros enormes e processos monumentais. Via como o problema
dos outros influenciava a nossa vida. Foi uma decisão dele viver aquela
vida, foi uma escolha para que desse a mim, aos meus irmãos e
principalmente a minha mãe uma vida confortável e segura, mas eu não
queria aquilo para mim. Eu queria ser reconhecido, eu queria ser ouvido,
eu queria ser famoso.
Assim que
aterrissamos no Rio, avisei ao Henrique que aquela segunda seria minha e
que eu não estava a fim de entrevista, foto e nem papo. Eles não
questionaram, apenas assentiram. Tinham horas em que eu queria ser
apenas o Diogo filho da dona Suzana e mais nada. Eu sabia que tinha
saído mais uma foto minha com uma garota na internet, imaginava como a
imprensa estaria animada e não me decepcionei.
– Uma palavra, Diogo? – Um repórter me pediu no saguão do aeroporto no Rio.
– Quem é a modelo do final de semana? – Um outro gritou.
– Essa será a dona do seu coração, Diogo? – Mais um questionou.
– Quando eu me amarrar, interna. – Eu apenas disse e o Nando abriu passagem.
Entramos
no carro e o Nando saiu batido para casa. Lá era o meu refúgio e poucas
pessoas tinham acesso. A Maria, minha ajudante há muitos anos, sempre
me recebia com sorrisos mesmo quando eu chegava de cara feia, como
naquele dia.
– Está tudo bem, menino? – A Maria me perguntou quando eu cheguei em casa jogando uma das minhas malas no sofá.
– Me deixa, Maria. – Disse e subi. – Estou no meu quarto, não quero receber ninguém.
– Está bem. – Só a ouvi falar.
Eu
apenas subi, tirei a roupa e mergulhei na minha piscina. A água estava
gostosa e cristalina. Sozinho naquelas águas eu conseguia colocar os
meus pensamentos em ordem, conseguia pensar um pouco em mim, conseguia
apenas respirar.
– Um pouquinho de paz... Só isso! – Resmunguei com a minha mãe ao telefone.
– O Nando me disse que você destruiu o celular, filho. – Ela resmungou.
– Eu estava compondo, mãe. O Henrique chegou...
– Calma, Diogo. Ouve a mamãe. – Ela pediu quando eu comecei a esbravejar. – Você está muito estressado, filho. Quero que você passe mais tempo na fazenda com a gente.
– Tenho meus compromissos, dona Suzana.
– Olha como você fala comigo, menino! – Ela resmungou. – Se você não quer, tudo bem, mas presta atenção. Você está só pensando no trabalho, na música... Pensei que essa menina...
– É só uma garota, mãe.
– Tudo bem. A sua princesa ainda está te esperando em algum lugar.
– Não acredito mais nisso, mãe.
– Eu acredito. – Ela disse mais calma. – Você merece filho.
– Depois da Melissa, mãe? É ruim! – Resmunguei. – Seus netos virão do Adriano e da Sabrina, por que o trouxa aqui não cai mais nas armadilhas não.
– Não fale assim, meu filho.
– Tenho que ir, mãe. – Avisei querendo encerrar o papo.
– A gente se fala depois. Ficarei em casa, mas se eu sair e a senhora
precisar falar comigo, liga para o celular do Nando. Durante a semana eu
compro outro aparelho, mas o número será o mesmo, consegui salvar o
chip.
– Tudo bem, filho.
– Manda um beijo para o papai. – Disse mais calmo.
– Mando sim. – Ela disse com humor.
Lembrar
da Melissa era acabar com o meu dia. Aquela vadia me enganou durante um
tempo, tirou muita coisa do trouxa que achava que estava amando. Eu me
odiava cada vez que as imagens mentais vinham à tona e a única coisa que
me acalmava era malhar.
– Vou malhar, Maria. – Avisei quando cheguei à cozinha e dei um beijo no rosto dela. – E desculpa eu chegar todo estourado.
– Não se preocupe. – Ela disse sorrindo. – Fiz aquela torta de queijo que você gosta.
– Então tenho que malhar mesmo para depois cair de boca nessa torta. – Disse e ela riu.
– E de sobremesa um bolinho com sorvete.
– Bomba! – Falei gesticulando. – Você e a Marli só querem me engordar. Fala sério!
– Vai malhar, menino. – Ela mandou rindo. – O Nando vem jantar?
– Liga e manda ele subir. Se você falar da torta aposto que ele vem. – Falei rindo.
– Mais fácil falar da sobremesa dele. – Ela brincou e indicou a cesta de frutas.
– Ele vai comer todas as minhas frutas. Separa alguma coisa para mim, Maria. Esse cara é muito abusado. – Resmunguei com humor.
Entrei
na academia e comecei a malhar. Por mais que eu tentasse, por mais que
eu pensasse em outra coisa o fantasma da Melissa me assombrava. Eu
odiava aquela mulher, ela tinha me enganado bonito e como as recordações
sempre voltavam quando eu estava sozinho era pior ainda. Lembranças de
pouco mais de três anos antes.
– Olha que lindo, gatinho. – A Melissa me disse.
– O que, Mel? – Perguntei quando ela indicou uma jóia na frente da loja.
– Aquele brinco de safiras. – Ela me mostrou quando disse. – Eu ficaria linda para o meu gatinho.
– O seu gatinho faz tudo por você. – Murmurei e a beijei.
E o trouxa caiu mais uma vez nas artimanhas. Eu me odiava quando lembrava.
– Cara! Se toca! – O Nando resmungava quando via a Melissa desfilando com as jóias para as amigas verem.
– Ela está linda, não está? – Perguntei enquanto via a minha loura.
– O caso é que você caiu mais uma vez, cara. Ela está te usando, Diogo. – O Nando sussurrou.
– Me erra, cara. Ela é a mulher da minha vida.
– Até a fonte secar. – O Henrique disse.
– Também acho, cara. – O Nando apoiou.
– Que isso, cara. A Mel é gente boa... Ela não é como essas vadias. – Resmunguei.
– Então por que você ainda não levou a gata para casa e nem apresentou aos tios? – O Nando me desafiou.
– Por que você alugou e mobiliou o apê e não a levou para a cobertura? – O Henrique também questionou. – No fundo você tem um pé atrás, cara.
– Ela não é como as outras, vocês estão é com inveja. – Resmunguei e ia me afastar quando o Nando me segurou.
– Você é o meu irmão, cara. Tenho que abrir os teus olhos. Nega alguma coisa para ver no que dá.
– Isso. Veremos se o comportamento dela muda se a fonte secar, Diogo. – O Henrique desafiou. – Se ela continuar a mesma tudo certo.
– A gente se cala e pronto. – O Nando garantiu quando a Melissa se aproximou.
– Vamos, gatinho? Estou com fome. – A Melissa disse e me beijou. – Vamos naquele restaurante na cobertura do shopping de São Conrado?
– Aquele restaurante é caro demais, Mel. – Resmunguei e ela me olhou estranhando.
– Caro? Desde quando você se preocupa com isso, Diogo? – Ela me perguntou com um tom de voz estranho.
– Só pensando no futuro, Mel. – Disse quando vi o Nando e o Henrique se cutucando. – Pedimos alguma coisa na sua casa mesmo, vamos nessa.
Fomos
para o apartamento dela e comecei a dar corda para ver até onde ela ia.
Não gostei nada da reação dela ainda mais que estava confirmando a
desconfiança do Nando e do Henrique. No carro ela já ficou meio
distante.
– Quer uma pizza, Mel? – Perguntei quando chegamos e ela me olhou.
– Pizza? Não posso engordar, Diogo. – Ela arfou. – Quero um salmão com legumes.
– Mandamos entregar.
– Por que você não quis ir naquele restaurante? – Ela me perguntou quando entrou no quarto.
– “Morremos” numa grana preta lá.
– Algum problema, Diogo? – Ela questionou quando me viu parado ao lado da porta.
– Só me precavendo. Umas aplicações aí furaram e perdi uma grana preta. – Menti e ela arregalou os olhos. – Vamos ter que economizar um pouco.
– Mas e os seus pais?
– Não posso pedir nada a eles, o meu pai também perdeu. – Menti mais. – Estamos no mesmo barco.
– Foi tanto assim?
– Foi. Ainda bem que você não depende de mim e tem o seu trabalho.
– Por quê?
– Teremos que dar um tempo nas extravagâncias, Mel. – Disse
e ela se virou, mas pude ver o seu rosto pelo espelho. Ela estava
revirando os olhos e aquilo me irritou. Mantive o sangue frio e segui em
frente. – Estou começando na música. Não posso ficar contando com algo que pode mudar de uma hora para outra.
– Você vai fazer sucesso, Diogo.
– Vamos esquecer isso. Você me ama, não é? – Perguntei ao abraçá-la pelas costas, mas ela apenas assentiu. – Vamos curtir e esquecer.
– Estou um pouco cansada, sabe? – Ela disse e se sentou na cama para tirar a sandália.
– Não quer curtir com o seu gatinho, Mel? – Perguntei ao derrubá-la na cama e me deitar sobre ela.
– Tenho um ensaio fotográfico amanhã cedo. – Ela resmungou e virou o rosto quando eu tentei beijá-la.
– Quer que eu vá embora?
– Acho melhor. – Ela disse e eu dei espaço quando ela se levantou.
– Qual é a parada, Mel?
– Que parada? – Ela me questionou de costas.
– Cansou de mim? Fala. Sempre fomos sinceros.
– Sabe o que é ...?
– Fala. Você quer me dizer alguma coisa, estou sentindo. – Disse já me controlando, sentindo que ela ia falar que estava fora. – Não estou te satisfazendo na cama?
– Não é isso.
– Então o que é? – Questionei e passei a mão tocando nos brincos novos. – Está te faltando alguma coisa?
– É que eu... Sei lá. Estou me sentindo meio presa.
– Não parecia que você estava se sentindo presa há duas horas atrás. – Comentei e a segurei pelo braço. – Fala logo.
– Qual é, Diogo!
– Fala! – Rosnei. – Seja sincera comigo pelo menos uma vez.
– Estou a fim de ficar sozinha.
– Tudo bem. – Disse e a soltei para logo em seguida pegar o meu celular. – Você não é minha dona como eu não sou seu. Somos livres.
– Para quem você está ligando?
– Não é da sua conta.
– Alô. – O Nando disse quando atendeu.
– Está onde? – Perguntei.
– Na confeitaria.
– Estou indo nessa, pode seguir.
– Ela caiu, não foi? – Ele perguntou.
– Fica na tua. – Avisei e peguei a bolsa da Melissa. Achei rapidamente a chave e os documentos do carro que eu tinha dado a ela. – Não precisa vir me buscar, tenho como ir.
– Meu carro! – Ela resmungou quando desliguei.
– Não. Meu carro, vagabunda! Quando a fonte seca você cai fora, não é? – Rosnei.
– Que isso, Diogo!
–
Vire-se com o aluguel do apartamento por que essa fonte aqui não secou,
apenas acordou, Melissa. Ainda bem que foi a tempo... E o trouxa aqui
ia te pedir em casamento essa semana ainda.
– Você mentiu. – Ela arfou. – Você jogou comigo.
–
E me dei bem. A fonte está jorrando como nunca, mas dela você nunca
mais terá uma gota sequer, vadia. Ainda bem que você não pisou com esses
pés sujos na minha casa.
– Gatinho!
–
Gatinho? Até cinco minutos atrás você só me chamava de Diogo. Você é
uma vagabunda como todas as outras! Vadia! Falsa! Vai atrás de outro por
que desse trouxa você já tirou tudo que pode, mas não ficará com tudo.
O
meu ódio foi tamanho que peguei uma cadeira e joguei na estante da sala
onde estava a TV nova que eu tinha acabado de comprar e mais um
equipamento de som. Ficou tudo em pedaços enquanto ela gritava. Fiz o
mesmo com a do quarto e ela não podia reclamar, aquilo tudo era meu, eu
tinha pago por tudo.
– Seu grosso! Idiota! – Ela gritou.
– Sou um idiota por ter caído na sua, vagabunda! – Rosnei apontando o dedo para ela. – Mas não serei mais. Vadia! Você só queria saber do meu dinheiro. – Disse e peguei o celular novo que eu tinha dado a ela há menos de um mês, joguei no chão e esmaguei com o meu pé. – E isso não é nada comparado ao que você merece.
– Meu celular! – Ela chorou ao resmungar. – Preciso dele para trabalhar.
– Vire-se, vadia! Sua idiota! Vagabunda!
– Sai da minha casa! – Ela gritou apontando para a porta.
– Com certeza essa é a sua casa. – Disse rindo muito.
– Suas contas, seu condomínio e aluguel para pagar. Seu salariosinho de
modelinho de m... Não é suficiente, vagabunda, maldita! Você devia ter
sido esperta. Devia ter dado um tempo, sua idiota. Devia ter esperado,
mas não... Quis me dispensar de cara? Quis me deixar na m... Sozinho?
Bem, você que está na m... Agora.
– Você vai pagar por ter quebrado as minhas coisas! – Ela rosnou apontando.
– O que era seu? – Perguntei ao me aproximar rapidamente. Ela se assustou.
– Qual dessas coisas era sua? Nada aqui era seu, vagabunda! Nada! Tudo
isso foi o trouxa que comprou achando que você me amava! Falsa! Fingida!
Aproveitadora!
– Vai embora! Sai daqui.
– Com todo prazer, mas antes. – Disse e estendi a minha mão. – Os brincos. Me devolva os brincos.
– São meus!
– Me devolve ou eu arranco! – Rosnei baixo.
Claro
que eu não chegaria àquele extremo, mas a raiva era tamanha que eu
queria humilhá-la e ela acabou devolvendo debaixo de muita raiva. Para
completar, fui até o quarto e peguei todas as outras que eu tinha dado
na caixa de jóias. Eu sabia onde tudo estava.
– São minhas!
– Dou para a primeira que eu encontrar, mas contigo elas não ficam! Vagabunda!
– Mesquinho! Você é um falso!
–
Estou apenas te tratando como você merece! Você poderia ter tido tudo
de mim, Melissa. Mas agora você só terá o meu desprezo e a minha
ausência total.
Saí do
apartamento batendo a porta, deixando para trás a pior coisa que poderia
ter acontecido na minha vida. Peguei o carro na garagem e o levei para o
condomínio, o Nando tratou de se livrar dele. As jóias foram negociadas
com o joalheiro que trabalhava para a minha família só por que o Nando
tirou da minha mão e cuidou daquilo, a minha vontade era de jogar tudo
pela janela ou dar a descarga. A Maria não queria aceitar, disse que
tinha nojo de qualquer coisa que tinha sido daquela mulher. A minha mãe
disse que era para eu me livrar de qualquer vestígio que me lembrasse
daquela maldita.
Com o tempo eu
fui digerindo a coisa e a raiva foi de certa forma se transformando em
indiferença, numa casca no meu coração. Nenhuma mulher conseguia
penetrar, nenhuma mulher conseguia ganhá-lo. Eu as usava apenas para
curtir, apenas para me aliviar sexualmente, apenas para transar. Os meus
amigos às vezes reclamavam da forma como eu lidava com as garotas e até
com eles mesmos, mas era uma coisa que eu não conseguia controlar.
Aquela maldita criou em mim uma ferida que demorou muito para começar a
cicatrizar.
Pensar naquelas
coisas me dava raiva novamente e era o equipamento de musculação que
sofria. Os pesos batiam no chão com tanta força que o andar tremia ao
ponto da Maria ir me checar às vezes. Ela entrava e me via resmungando,
mas saía. Ela me conhecia bem para saber quando se manter longe. Só
depois de pelo menos uma hora suando muito eu me controlava.
– E aí? – O Nando perguntou quando abriu a porta e colocou a mão para dentro. – É seguro entrar aqui?
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